O que a morte nos ensina

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Hoje perdi um tio…ele morreu depois de lutar contra os inadiáveis problemas que a vida nos traz. Há três meses perdia outro, cuja luta pela vida foi ainda mais cruel, pois longa e sofrida. Ambos aqui estavam há pouco e, subitamente, não mais estavam. Não eram velhos pelos padrões atuais, mas isto não parece importar. Foram atropelados por súbitas realidades trapaceiras que os espreitavam esperando o seu momento de decretar o fim.

A tristeza invade meu coração. Não tanto por perdê-los pois há muito já não os tinha por perto e as lembranças dos tempos passados em conjunto – lindas e notadamente durante a minha infância – serão as mesmas que ficarão, portanto a saudade não será maior, igual será.Foram exemplos de sabedoria e carinho, cada qual a sua maneira, cada qual dentro do que tinham e podiam ser. Amei a ambos!

A tristeza se instala pois sou lembrado de nossa finitude e da pouca importância que temos neste teatro universal. Intimamente nunca me esqueço disto, nem mesmo um dia sequer. Mas a morte de um ente querido aguça a percepção, faz gritar mais alto a urgência do viver. Faz sentirmos o momento como o último, aflora a ânsia de estar engajado com o todo. O consolo não existe. Palavras expressadas nestes momentos são meros expedientes sociais que buscam o inalcançavel, dar voz ao silêncio duro que invade o peito. A crença na finitude absoluta só faz a coisa pior, pois a esperança de algo além simplesmente inexiste.

Foram-se e deixaram saudade. Ficaram, escondidos na memória que um dia perecerá. Enquanto isto, neste breve espaço de tempo e vida, aqui estarão.

Memento Vivere…

Memento Mori…

 

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